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Lupo no Paraguai: o que essa decisão revela sobre o “custo Brasil” e a urgência de proteger o seu patrimônio

Postado por Wealth Management em quarta, novembro 26, 2025

A notícia da vez é que a Lupo, uma das maiores empresas têxteis do país, está construindo sua primeira fábrica fora do Brasil, no Paraguai.  

Essa faz parte de uma estratégia para reduzir custos, aproveitar incentivos fiscais e manter competitividade diante do avanço de produtos importados de baixo custo. A Lupo se junta a centenas de indústrias brasileiras que, nos últimos anos, decidiram levar parte da operação para fora do país em busca de um ambiente tributário e regulatório mais favorável. 

Por trás dessa manchete existe um recado claro para empresários, profissionais liberais e famílias com patrimônio relevante: quem não se organiza juridicamente acaba pagando a conta mais alta – em impostos, em riscos e, muitas vezes, em perda de competitividade. 

 

1. Quando a empresa atravessa a fronteira para continuar competitiva 

A decisão de abrir uma fábrica em outro país não acontece da noite para o dia. Envolve estudo de: 

  • Carga tributária total (impostos sobre produção, folha, lucro e distribuição); 

  • Custo trabalhista e encargos sobre a contratação; 

  • Ambiente regulatório e segurança jurídica; 

  • Logística e acesso a mercados. 

No caso do Paraguai, muitos grupos industriais brasileiros vêm sendo atraídos por incentivos fiscais, custos menores de energia e mão de obra e programas específicos para instalação de indústrias. Para empresas que operam com margens apertadas, alguns pontos percentuais a menos em impostos podem significar a diferença entre crescer ou encolher. 

Mas nem toda empresa tem porte – ou interesse – para levar a fábrica para fora do Brasil. Ainda assim, a lição é a mesma: quem pensa estrategicamente em estrutura jurídica paga menos imposto dentro da lei e protege melhor o que já construiu. 

 

2. Estrutura jurídica não é “detalhe burocrático”: é ferramenta de sobrevivência 

Muitos empresários ainda tratam a escolha do tipo societário, a forma de distribuir lucros ou a organização dos bens da família como algo secundário. Na prática, é exatamente o contrário. 

Uma boa estrutura jurídica e societária permite: 

  • Reduzir a carga tributária dentro das possibilidades previstas em lei (planejamento tributário); 

  • Separar o risco da operação do patrimônio da família, evitando que um problema na empresa coloque em risco imóveis e investimentos pessoais; 

  • Organizar a sucessão de forma eficiente, reduzindo o impacto de ITCMD, custos de inventário e disputas familiares; 

  • Facilitar a expansão internacional, caso faça sentido, com estruturas societárias preparadas para atuar em mais de um país. 

É aqui que entram instrumentos como holdings patrimoniais e operacionais, sociedades anônimas de capital fechado, acordos de sócios e protocolos familiares. Quando bem desenhados, eles mudam completamente a qualidade da proteção e da eficiência tributária. 

 

3. Brasil, Paraguai ou qualquer lugar: o que precisa vir antes é o planejamento 

A Lupo escolheu o Paraguai para ganhar competitividade frente aos produtos importados. Mas, antes de qualquer mudança de endereço, o passo mais importante é o planejamento estrutural: 

  1. Diagnóstico completo da situação atual 

  • Como está a empresa hoje? 

  • Em qual regime tributário? 

  • Como estão registrados os bens (no CPF, em empresas, misturado)? 

  • Existe concentração de risco em uma única pessoa ou CNPJ? 

  1. Desenho de cenários 

  • Cenário mantendo tudo como está; 

  • Cenário com reorganização societária (holding, segregação de atividades, cisão, incorporação, etc.); 

  • Cenário com eventual internacionalização de parte da operação ou diversificação de receitas em outros países. 

  1. Análise de impactos tributários e patrimoniais 

  • Qual cenário reduz mais tributo ao longo do tempo, sem afrontar a legislação? 

  • Qual modelo protege melhor o patrimônio em caso de processo, crise do negócio ou falecimento de um dos sócios? 

  • Quais são os custos de implementação e de manutenção? 

  1. Governança e compliance 
    Não adianta ter uma estrutura “bonita no papel” se não houver governança. Acordos claros entre sócios, regras de distribuição de resultados, política de reinvestimento, proteção de marca e, quando há família envolvida, regras de sucessão e entrada de herdeiros no negócio. 

 

4. Proteção patrimonial vai além de pagar menos imposto 

É comum associar planejamento apenas à economia tributária. Ela é importante, claro – especialmente num ambiente como o brasileiro, em constante mudança de regras. Mas proteger patrimônio significa ir além: 

  • Evitar que uma crise da empresa leve junto os bens de toda a família; 

  • Reduzir a necessidade de um inventário demorado e caro no futuro; 

  • Dar previsibilidade para cônjuges e herdeiros sobre como será a gestão e a divisão dos bens; 

  • Blindar o negócio de conflitos societários e decisões impulsivas. 

Enquanto grandes grupos avaliam abrir fábricas no Paraguai, muitas famílias brasileiras seguem com todo o patrimônio ainda no CPF, sem holding, sem planejamento sucessório e extremamente expostas ao que vier pela frente – seja um processo, uma mudança de lei ou um problema de saúde. 

 

5. O que essa notícia ensina para quem é empresário ou possui patrimônio relevante 

A decisão da Lupo mostra que quem se antecipa às mudanças e usa o direito a seu favor ganha tempo e competitividade. Os grandes grupos já entenderam que a disputa não é apenas de produto, mas de estrutura. 

Para a empresa familiar, o profissional liberal, o investidor em imóveis ou o empresário que construiu um patrimônio ao longo de décadas, a mensagem é parecida: 

  • Não dá mais para contar apenas com “jeitinho” e improviso; 

  • Não é prudente deixar tudo no CPF e torcer para que nada aconteça; 

  • Não é eficiente pagar o máximo possível de tributos por falta de organização. 

Ter uma estrutura jurídica inteligente – seja permanecendo no Brasil, seja avaliando estratégias internacionais – é hoje um dos principais diferenciais para preservar o negócio, reduzir a carga tributária dentro da lei e proteger o patrimônio das próximas gerações. 

Em um cenário em que até marcas centenárias estão repensando onde e como produzem, a pior decisão é não decidir nada e deixar o patrimônio exposto. 

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Stefany Herzog 

Advogada Especialista em Proteção Patrimonial 


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