Retrospectiva 2025: o ano em que o custo do Estado ficou evidente no patrimônio das famílias
dezembro 30, 2025Por Ketlen Marin — PSI (Patrimônio Sem Inventário)
O ano de 2025 não foi apenas mais um capítulo da história econômica brasileira. Foi um divisor de águas silencioso — e perigoso — para quem ainda acredita que patrimônio se protege sozinho.
Janeiro começou com discursos. O governo reafirmava o compromisso com o equilíbrio fiscal e com a implantação da reforma tributária. O tom era de responsabilidade, previsibilidade e controle. Doze meses depois, o cenário expunha um contraste difícil de ignorar: uma dívida pública que ultrapassa R$ 8 trilhões, pressionando o presente e, principalmente, o futuro das famílias brasileiras.
Em fevereiro, o Congresso retomava suas atividades com prioridade absoluta para a regulamentação da reforma tributária. Ao longo do ano, porém, o mesmo Congresso protagonizou movimentos para ampliar seus próprios ganhos, reforçando uma desconexão cada vez mais evidente entre quem legisla e quem paga a conta.
Março trouxe à tona debates sobre justiça social e concentração de riqueza. O discurso público apontava para as grandes famílias empresárias como vilãs do sistema. Nos bastidores, surgiam notícias sobre autoridades com patrimônio relevante no exterior. A mensagem implícita era clara: a discussão não era sobre moralidade, mas sobre quem não consegue se proteger.
Em abril, a Receita Federal avançou de forma decisiva no uso de tecnologias para cruzamento de dados patrimoniais e financeiros. O recado ao contribuinte foi direto: o Estado enxerga mais, cruza mais e cobra mais. O mercado reagiu com força. O dólar se aproximou dos R$ 6,00 e o real figurou entre as moedas mais desvalorizadas do mundo.
Maio aprofundou os debates sobre a transição tributária até 2033. Especialistas alertavam para um período longo de insegurança jurídica e aumento gradual da carga fiscal. Ainda assim, grande parte da população seguia sem compreender que não planejar é uma escolha — e uma das mais caras.
No meio do ano, estados passaram a sinalizar estudos para elevar o ITCMD nos próximos anos. Iniciou-se uma corrida desordenada por doações feitas às pressas, muitas vezes sem estrutura jurídica, sem estratégia e sem visão de longo prazo. Paralelamente, o discurso político reforçava a soberania nacional, enquanto a carga tributária real para o brasileiro se aproximava de 50%.
Agosto consolidou o cenário: arrecadação recorde, mais de R$ 3 trilhões em impostos. O Estado nunca arrecadou tanto. A pergunta que ficou foi: por que o cidadão nunca se sente mais seguro?
Em setembro, herança, sucessão e planejamento patrimonial ganharam espaço nos noticiários econômicos. O tema deixou de ser tabu. Ainda assim, muitos empresários e famílias continuaram acreditando que uma escritura isolada ou uma solução improvisada seriam suficientes para atravessar um ambiente fiscal cada vez mais agressivo.
Outubro escancarou fragilidades estruturais: estatais federais acumulando déficits bilionários e recorrendo ao Tesouro Nacional. O ciclo se retroalimenta — mais gastos exigem mais arrecadação, que exige mais pressão sobre quem produz e acumula.
Novembro chegou com a Selic em 15% e sem sinalização de cortes. O ambiente de investimentos tornou-se mais restritivo, seletivo e arriscado. Casos de má gestão e perdas relevantes em fundos reforçaram um alerta antigo: quem não entende risco patrimonial, paga para aprender.
Dezembro encerrou o ano com um dado simbólico e preocupante: cerca de 50% da população brasileira dependente de auxílios governamentais. A conta não desaparece. Ela apenas muda de nome. E, muitas vezes, é transferida para a herança — para os filhos, netos e gerações que não participaram das decisões, mas herdarão suas consequências.
O verdadeiro recado de 2025
A retrospectiva de 2025 deixa uma conclusão inequívoca: planejamento patrimonial deixou de ser uma ferramenta de otimização e passou a ser um instrumento de defesa.
Não se trata de sonegar, ocultar ou burlar regras. Trata-se de compreender o jogo, antecipar movimentos e estruturar o patrimônio de forma lícita, inteligente e estratégica.
Porque, no Brasil, quem não se antecipa, paga mais.
E quem não planeja, entrega o futuro da própria família como garantia do sistema.
2025 passou.
A pergunta que fica é simples — e inadiável: você está preparado para 2026?
Postado por Coluna Investimentos.
